terça-feira, 29 de junho de 2010

sobre gostar de filhos da puta



na primeira vez que o vi, pensei que ele era um filho da puta. na segunda, apenas me certifiquei que era mesmo. depois de um tempo, percebi que ele era mais que isso: era também um oportunista, interesseiro, que se achava muito fodão e estava bem perdido. foi quando fiquei feliz em saber que não estava só em achar graça em tomar stroh só para reclamar depois que é muito forte. vi que não era o único por perto que dominava a incrível-arte-de-gastar-dinheiro-com-itens-idiotas como uma câmera aquática que jamais terá seus filmes revelados. torcemos - de forma insana - para os times mais fracos da copa e sempre contra o brasil, pois queríamos dar gargalhadas em meio a quem leva à sério demais coisas que pra gente não fazem o menor sentido. achamos graça em viver o minuto agora, mas quando a lucidez chega de vez em quando, trocamos sugestões após alertas embriagados de que queremos apenas falar e não ouvir o que já sabemos. chutamos o balde todos os dias, juntos, com o cuidado de não chutá-lo longe demais: temos medos em comum. aproveitamos até o amanhecer as noites desacreditadas de diversão pelos outros. vivemos entre o requintado e o primitivo, o whiskey e a cerveja, o eletrônico e fagner, o tubarão e a boate, o cachecol e as chinelas, o talento e a preguiça. ora família, ora amigo. sempre, até as próximas vinte e quatro horas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinze horas e cinquenta e sete minutos



o tempo que levou para ela me responder. estava perdido entre a febre, vitaminas, beliches, chão de madeira irritante, frio e o desejo de ir para a rua e não voltar nunca mais. estava fugindo de uma sacola de coisas, mas em boa companhia. fiquei em silêncio, ela retrucou após três dias, procurando por algo que ia de encontro à sua falta de curiosidade, algo que viria a se orgulhar (sem muita credibilidade) quando o diálogo começou – e não quis mais parar. ela pedia para saber como eu estava, eu pedia os produtos dela: "o que você pode me oferecer, bela moça?" – gritei de longe. começamos um escambo despretensioso, onde a troca de músicas era por textos e as fotos pelo passado; onde a sua imagem distante valia meus elogios previsíveis. nos demos bem, demasiadamente, e criamos a cultura da conversa todos os dias. as obrigações sadias vieram, carregando com elas as cobranças mútuas que não faziam muito sentido além de nossa própria diversão. e, enquanto falava claramente que desejava mordê-la por inteiro, ela apenas desmerecia, sem esconder sua excitação pelo assunto. marcamos um encontro. concordamos que seria melhor assim.

domingo, 6 de junho de 2010

a mulher moderna e o mve: esquece-me