quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

o espaço entre o gostar e o divulgar



sempre em que estou em algum relacionamento - rotulado "namoro" - todos me cobram: "ei, você parece que nem tá namorando com ela, nem demonstra nada na frente dos outros". esse é um ponto de vista interessante e bem padrão. aliás, para relacionamentos do tipo, todos sempre têm muitas, muitas, muitas regras para aplicar. é algo engraçado. então, essa cobrança sempre surge, não só pelos amigos, mas principalmente pela tal mulher. fico imaginando o sentido | objetivo de demonstrar - publicamente - o que você sente pela outra pessoa. é muita insegurança, não?

eu sempre vou pelo lado oposto: quanto mais sinto que a outra faz parte de mim, mais desejo ficar somente em silêncio ao lado dela. só o fato de estar próximo já me apetece de forma quase completa, deixando para depois: o sexo, as conversas bestas, as bebedeiras e os planos inúteis para um futuro incerto.

e é justamente nesse futuro incerto que a coisa pega: é nele que se concentra o maior desejo de todos, aquela necessidade imensa de apresentar como será o seu gostar daqui a alguns meses, anos, décadas. essa regra de projetar os relacionamentos como se eles tivessem que ser eternos é um saco, hein? sem esquecer de que caso você pense o contrário, já torna-se automaticamente o "abominável-homem-insensível-e-derivados-da-neve".

penso igual ao mestre denny crane (!): "i don't live for tomorrow. never saw the fun in it."