quarta-feira, 1 de maio de 2013

o que eu vi em você


cansada de ser mulher, exibe que desgosta dos clichês. caminha em busca do improvável, sendo estampa, bolinha, pedindo o último drink. desejando prolongar o apagar da velinha de 33 anos, caminha, como se fosse soldado. sabendo o valor de suas pernas e postura firme, desfila no meio de todos. pede mais, pois sabe que é o homem da noite. descobre que os lábios valem mais que suas pernas. descobre, mesmo sem querer, que sua conversa banal é mais prazerosa que o sexo mais absurdo jamais imaginado por ele.

domingo, 23 de setembro de 2012

take my baby to the carnival



na mesma dança onde só ela poderia dizer o "sim" ou o "não", faz questão de comer o espaço que está em sua volta e ditar ordens para os cafajestes que estão por lá. afirma, ainda meio que cambaleando, que somente ela pode ser atraente. afirma, meio que cambaleando, que só ela é capaz de criar desejo em alguém que já sabe um pouquinho demais sobre ela.

e faz cancelar a ida para casa. a ida ao encontro da outra mulher, aquela que até então, para ele, seria a mais desejada da noite. o faz cancelar, simplesmente por mostrar seios. distantes, estão em meio ao tecido que mescla o verde, o cinza, o vermelho e o decote.

e depois escancara os dentes, é agressiva. firma amizade com o garçom e expulsa quem está próximo. grita que é independente e que homens obsessivos não possuem espaço em sua vida. sente prazer na sua contradição. espera na calçada e nega o beijo. vai embora e despreza. não esquece de sorrir dias depois.

domingo, 26 de agosto de 2012

calça marrom que senta e espera



ela, que poderia ser ausente em sua obrigação de apresentar-se, cria o momento do se envolver no vermelho e explora charme - o exaltado por todos - como arma para prolongar a espera pelo beijo. estira seu corpo para lá, na mesma medida em que mantém seus lábios próximos e usa a distância segura e previsível para aumentar o prazer do desejo-homem-zebra. ela finge se distrair, ele pensa ser interessante. ela diz: "desejo o que já tive prazer, quando nem me imaginava sob efeito de álcool". ela beija, ele se engana. o outro, distante, assume: "estou certo, haverá outra noite".

quinta-feira, 12 de abril de 2012

listra só de uma cor fingindo ser três

e parecia não caber nela: a vontade de contar o que passou. é latino para cá, para lá, calças abaixadas em plena parada comum de ônibus. é o constrangimento que se conta como vantagem, daquelas que procuram risos em esquinas bêbadas. daquelas que chamam os homens para homenagear os cachos amarelos que teimam em sair do lugar. daquelas que chamam os homens para homenagear a boca pequena, o olhar brilhante e toda essa pornografia que se faz presente. daquelas que fazem o humor fêmea parecer macho, apenas porque foi dito algo cabeludo demais. daquelas que você se pergunta se é melhor fazer sexo ou apenas conversar. e sabe que jamais os dois ao mesmo tempo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

o beijo social

e pelo centro da semana, sem pretensão - aparente - belos seios surgem sobre a bancada, já suja de cerveja e suor de alguns aventureiros, e como se desejassem desfilar por ali, movem-se por impulsos independentes. o olhar vai para um lado, outro, enquanto espera o pedido feito. o mesmo olhar pede a dança e ela, confiante, comanda o corpo, que passa a transitar entre todos os espaços que ali cabem, criando o charme-atraente em cada mínimo movimento. observa, passa por perto, espera um contato, mesmo que seja para desmerecer. aguça a curiosidade, estimula a consulta a amigos próximos durante a madrugada, faz descobrir o nome e incentiva as relações próximas. pede, sem saber - e talvez querer - que se envie uma mensagem de boas vindas. infantil. força, sem saber - e talvez querer - dias de espera. encontro em fila e toque na cintura, seguido de beijo social. cria distância novamente.

sábado, 11 de dezembro de 2010

"saudade é felicidade abafada, futura."



repetição engraçada do apelido carinhoso que nos presenteamos. cansaço na chegada, de calça jeans e mala perdida. sentir que o
gostar dela te banha de vergonha e joga na cara a tua incapacidade de retornar a dedicação. felicidade estampada em ver outro animal colorido de perto, ao cruzar fronteiras próximas. morder a face de forma amigável e deixar registrado no digital o carinho que tinha por ela. achar graça na mão que suporta o queixo. gozar com ela, por vezes desejando somente o abraço posterior. silêncio que me agradava com uma paz singular. engraçada repetição do carinhoso apelido que nos presenteamos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

eu fui.

los hermanos em uma roupagem mais simpática.

com saída de natal programada para as 14h da tarde, resolvi seguir a bela máxima de lobão "sempre em dia com o seu atraso", pegando a estrada lá pelas 16h e pouco, rumo a joão pessoa, com o objetivo de capturar o animal oportunista e seguir para recife, a são paulo nordestina. a felicidade de fazer o revival moçambicano no encontro com pons era uma das poucas coisas que me empolgava, já que estava indo para o show dos los bostanos hermanos para pagar uma suposta dívida de amizade.

por volta das 21h, chegamos no apto de pons sem sofrer nenhum atentado, tiro ou sequestro (ainda bem que sou desconhecido por lá). depois daquele velho e bom banho, seguimos para o centro de convenções de recife e aí começou a saga noturna por aquele que seria o pior show da minha vida (falando sonoricamente, já que as companhias eram boas). ao chegar no estacionamento, já ouço um coro dos fãs cantando uma música deles e pensei "que felicidade, o show já começou e por isso serei obrigado a assisti-lo por menos tempo"… puro engano e dor-de-cabeça instantânea.

fãs da banda em frente ao palco.

após adentrar naquele cenário woodstock-acimentado, onde jovens barbudos e fake-alternativos desfilavam pelo pátio, fui atrás de vodkas que pudessem me confortar pelas horas adiante.

o início do show começa a demorar e os fãs a ficarem revoltadinhos. somente quando surge o primeiro barbudo no palco, a felicidade e o delírio toma conta da garotada. nesse exato momento, todos bebem um gole d'água e se preparam para a cantoria dos próximos minutos. começa a minha real diversão: o hobby em observar fixamente alguns fãs cantando as músicas com o objetivo de constrangê-los. ah, para quem não sabe, o show de los hermanos é o momento onde rola uma espécie de competição-não-declarada, onde cada fã tenta mostrar que é mais fã do que está ao seu lado, cantando todas as letras do começo ao fim.

quando erram uma letra, sentem-se como os jovens japoneses que não conseguem passar no vestibular e o suicídio torna-se inevitável. infelizmente, assistimos à cenas como essa abaixo, na saída do show, onde um jovem se matou no estacionamento. amigos comentaram que ele errou um refrão de numa única música e não ia aguentar conviver com isso. final trágico.

jovem se mata após errar refrão de música.

após presenciarmos a terrível cena, seguimos para a pin-up burgueria lanchar e descansar daquela noite. esse foi o melhor momento do show.

domingo, 29 de agosto de 2010

e o medo da felicidade



e da responsabilidade que ela carrega, perdendo a liberdade para a doação de forma estranha, não-natural e comedora de pedaços. é sorrir pensando em ser pai, exemplar, social. aquilo que não fui e não tenho muita prática para ser.

terça-feira, 29 de junho de 2010

sobre gostar de filhos da puta



na primeira vez que o vi, pensei que ele era um filho da puta. na segunda, apenas me certifiquei que era mesmo. depois de um tempo, percebi que ele era mais que isso: era também um oportunista, interesseiro, que se achava muito fodão e estava bem perdido. foi quando fiquei feliz em saber que não estava só em achar graça em tomar stroh só para reclamar depois que é muito forte. vi que não era o único por perto que dominava a incrível-arte-de-gastar-dinheiro-com-itens-idiotas como uma câmera aquática que jamais terá seus filmes revelados. torcemos - de forma insana - para os times mais fracos da copa e sempre contra o brasil, pois queríamos dar gargalhadas em meio a quem leva à sério demais coisas que pra gente não fazem o menor sentido. achamos graça em viver o minuto agora, mas quando a lucidez chega de vez em quando, trocamos sugestões após alertas embriagados de que queremos apenas falar e não ouvir o que já sabemos. chutamos o balde todos os dias, juntos, com o cuidado de não chutá-lo longe demais: temos medos em comum. aproveitamos até o amanhecer as noites desacreditadas de diversão pelos outros. vivemos entre o requintado e o primitivo, o whiskey e a cerveja, o eletrônico e fagner, o tubarão e a boate, o cachecol e as chinelas, o talento e a preguiça. ora família, ora amigo. sempre, até as próximas vinte e quatro horas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinze horas e cinquenta e sete minutos



o tempo que levou para ela me responder. estava perdido entre a febre, vitaminas, beliches, chão de madeira irritante, frio e o desejo de ir para a rua e não voltar nunca mais. estava fugindo de uma sacola de coisas, mas em boa companhia. fiquei em silêncio, ela retrucou após três dias, procurando por algo que ia de encontro à sua falta de curiosidade, algo que viria a se orgulhar (sem muita credibilidade) quando o diálogo começou – e não quis mais parar. ela pedia para saber como eu estava, eu pedia os produtos dela: "o que você pode me oferecer, bela moça?" – gritei de longe. começamos um escambo despretensioso, onde a troca de músicas era por textos e as fotos pelo passado; onde a sua imagem distante valia meus elogios previsíveis. nos demos bem, demasiadamente, e criamos a cultura da conversa todos os dias. as obrigações sadias vieram, carregando com elas as cobranças mútuas que não faziam muito sentido além de nossa própria diversão. e, enquanto falava claramente que desejava mordê-la por inteiro, ela apenas desmerecia, sem esconder sua excitação pelo assunto. marcamos um encontro. concordamos que seria melhor assim.