domingo, 23 de setembro de 2012

take my baby to the carnival



na mesma dança onde só ela poderia dizer o "sim" ou o "não", faz questão de comer o espaço que está em sua volta e ditar ordens para os cafajestes que estão por lá. afirma, ainda meio que cambaleando, que somente ela pode ser atraente. afirma, meio que cambaleando, que só ela é capaz de criar desejo em alguém que já sabe um pouquinho demais sobre ela.

e faz cancelar a ida para casa. a ida ao encontro da outra mulher, aquela que até então, para ele, seria a mais desejada da noite. o faz cancelar, simplesmente por mostrar seios. distantes, estão em meio ao tecido que mescla o verde, o cinza, o vermelho e o decote.

e depois escancara os dentes, é agressiva. firma amizade com o garçom e expulsa quem está próximo. grita que é independente e que homens obsessivos não possuem espaço em sua vida. sente prazer na sua contradição. espera na calçada e nega o beijo. vai embora e despreza. não esquece de sorrir dias depois.

domingo, 26 de agosto de 2012

calça marrom que senta e espera



ela, que poderia ser ausente em sua obrigação de apresentar-se, cria o momento do se envolver no vermelho e explora charme - o exaltado por todos - como arma para prolongar a espera pelo beijo. estira seu corpo para lá, na mesma medida em que mantém seus lábios próximos e usa a distância segura e previsível para aumentar o prazer do desejo-homem-zebra. ela finge se distrair, ele pensa ser interessante. ela diz: "desejo o que já tive prazer, quando nem me imaginava sob efeito de álcool". ela beija, ele se engana. o outro, distante, assume: "estou certo, haverá outra noite".

quinta-feira, 12 de abril de 2012

listra só de uma cor fingindo ser três

e parecia não caber nela: a vontade de contar o que passou. é latino para cá, para lá, calças abaixadas em plena parada comum de ônibus. é o constrangimento que se conta como vantagem, daquelas que procuram risos em esquinas bêbadas. daquelas que chamam os homens para homenagear os cachos amarelos que teimam em sair do lugar. daquelas que chamam os homens para homenagear a boca pequena, o olhar brilhante e toda essa pornografia que se faz presente. daquelas que fazem o humor fêmea parecer macho, apenas porque foi dito algo cabeludo demais. daquelas que você se pergunta se é melhor fazer sexo ou apenas conversar. e sabe que jamais os dois ao mesmo tempo.