sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinze horas e cinquenta e sete minutos



o tempo que levou para ela me responder. estava perdido entre a febre, vitaminas, beliches, chão de madeira irritante, frio e o desejo de ir para a rua e não voltar nunca mais. estava fugindo de uma sacola de coisas, mas em boa companhia. fiquei em silêncio, ela retrucou após três dias, procurando por algo que ia de encontro à sua falta de curiosidade, algo que viria a se orgulhar (sem muita credibilidade) quando o diálogo começou – e não quis mais parar. ela pedia para saber como eu estava, eu pedia os produtos dela: "o que você pode me oferecer, bela moça?" – gritei de longe. começamos um escambo despretensioso, onde a troca de músicas era por textos e as fotos pelo passado; onde a sua imagem distante valia meus elogios previsíveis. nos demos bem, demasiadamente, e criamos a cultura da conversa todos os dias. as obrigações sadias vieram, carregando com elas as cobranças mútuas que não faziam muito sentido além de nossa própria diversão. e, enquanto falava claramente que desejava mordê-la por inteiro, ela apenas desmerecia, sem esconder sua excitação pelo assunto. marcamos um encontro. concordamos que seria melhor assim.

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