segunda-feira, 10 de maio de 2010

abrace o aleatório



lá pelos meus 15 anos, minha vida se resumia a trabalhar por noites seguidas, sob efeito de pó de guaraná, e ouvir mark lanegan. minha felicidade era baseada basicamente nesses dois aspectos: trabalho e música. logo depois, engatei um relacionamento amoroso arrebatador para um jovem garotão cheio de espinhas na cara: namorei a menina branca, magra, charmosa, inteligente e da cidade perigosa. passava o mês todo juntando 200 reais para viajar e encontrá-la em um final de semana a cada mês. ficava no silêncio quase absoluto ao lado dela. foi quando adicionei mais 1 aspecto na minha coleção de fontes de sorriso. agora eram três. aos 21, tomei meu primeiro copo de whiskey e pela vida boêmia em que estive presente quando criança, graças aos meus pais, poderia dizer que foi tardio. só hoje consigo ver o quanto isso foi importante pra mim. com a bebida, tornei-me o super-machão: perdi o medo e a timidez que sempre me acompanharam, virei raparigueiro (saía de segunda à segunda), comia mulher todo santo dia. um dia, abusei dos excessos e aprendi que certos prazeres intensos podem te atrofiar.



você não pode chegar no ponto em que começa a achar que a felicidade está em poucas coisas, pois não está. você precisa exercitar a sua procura por ela, criar referências em tudo que está em sua volta, não se pode acomodar: há prazeres demais por aí te esperando. seus sentidos precisam ser estimulados e não vale se arrepender, nem ser cauteloso, pensar demais antes de agir. perde-se a graça e inibe a busca. não vale se preocupar muito com os outros, criar dependentes, deixar sua liberdade ir embora facilmente. perde-se o impulso, aquele que gera o que você realmente é, a sua verdade.



é preciso ser honesto com você mesmo, saber o que te apetece ou não, sem desprezar uma segunda chance e, quem sabe, várias. há prazeres que não são digeridos facilmente, como certas bebidas fortes ou músicas sem ritmo aparente. a fácil desistência pode lhe tirar prazeres incalculáveis lá na frente. então, apaixone-se pelo presente e abrace o que vier, se possível ao lado de boas companhias.

3 comentários:

Gleyce Noda disse...

Esse seu post veio em boa hora. Nesse momento (5h20), a "Dona Nodinha" está estudando para sua segunda prova no mestrado, tentando recuperar os pontos da fracassada primeira. E logo depois do almoço terá que confirmar a sua já declarada demissão realizada na quinta-feira.

Estou com muito, muito medo, mas na esperança de que o tempo livre me ajudará a encontrar a "tal-felicidade-nas-pequenas-coisas".

Saudades de vc, Leo!

la increible aventura disse...

nodinha, essa é uma oportunidade para procurar outras coisas, como você mesmo falou. é muito cômodo se apegar ao que está mais próximo e fácil, mas cansa mesmo. da última vez que te vi, tive a impressão que você estava nessa fase dos excessos e acho que ela te ofuscou um pouco, não? saudades também, bjo!

Anônimo disse...

15 Anos! A idade onde se é o Dono do mundo! Onde tudo é intenso demais ... insuficiente demais, melhor época para
testar mesmo os nossos limites, mas me diga: quem não gostaria de
continuar entregue a vida toda a esses prazeres intensos?!

A busca pela felicidade pode ser sim essa enxurrada de emoções,
experiências e sensações desencadeadas pelo chamado
"impulso" ...mas
toda essa entrega pode ser mais que prazerosa, as vezes desastrosa e dolorosa
Cautela! Muitas vezes é ali onde encontramos o nosso verdadeiro "eu"!
Apaixone-se por vc mesmo, antes de tudo! E deixe-se
abraçar ... se
possível ... por boas companhias ... ;-)