segunda-feira, 31 de maio de 2010

quero romance

mas espero o livro de presente, pois não saberia comprá-lo. quero também os pertences mais aparentes dela, frutos do orgulho e necessidade de se mostrar forte, combustíveis para esquecer uma antiga mágoa. espero sua dança atraente - onde o vulgar não me fez entender - suportada pelas botinhas feias que confrontam o que acho ser bom gosto. beijar novamente, através de dedos temerosos, cada vértebra sua e sorrir logo após de forma aliviada. externar comentários aleatórios e sem nexo aparente, sentindo ciúmes, na incerteza desejada que serão em vão. tentar domá-la, só para vê-la praticar o seu charminho-de-independência.


"...to feel connected enough to step aside and weep like a widow."

ler, ao lado dela, apenas uma página a cada noite, aceitando seus deboches sem protestos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

"vamos pra madri?"

"se liga, mané."

segunda-feira, 13h15min
maia: preciso muito viajar nesse final-de-semana.
eu: humm...
maia: vamos pra madri? vamos? vamos?
eu: vamos? vamos!
maia: vamos!

às 15h30, sexta-feira, chegamos em cape town (south africa). bebemos por dois dias, andamos pra cima e pra baixo na long street. quase fomos assaltados, mas a nossa agressividade-neanderthal espantou os malandrões. conhecemos vários pubs, bares, restaurantes e nadamos com os tubarões brancos. aliás, eu vomitei e nadei, maia vomitou e dormiu no barco. abaixo, uma cape town como você nunca viu. selecionei apenas as melhores fotos:

ótimo marcador de lugares de sala de cinema, recomendo.

câmera para fotos aquáticas, inutilizada até o momento.

africanos na áfrica.

chinês que foi nossa grande inspiração na área fotográfica da viagem.

excelente estacionamento em shopping, recomendo.

mestre dos magos deu o ar da sua graça.

maia, ao final de um corredor que dá para o banheiro.

"felicidad."

mini-fogão do hostel. não posso recomendar, pois não usei.

rodas do carrinho que leva o barco até a água.

mantendo a forma através da ração de cachorro.

boa sinalização, bem útil após a ração de cachorro.

alimentando os tubarões brancos: é por isso que eles são tão nervosinhos.

remelinha de leve.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

a mulher moderna e o mve: o encontro



não conhece o mve (macho-verdade-excessiva)? leia aqui.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

um rascunho da mulher esperada



é preciso ser abraço, mas também nuca.

ao mesmo passo que o macho gosta de prover segurança, ele também aprecia sua falta. as pessoas vivem atrás dos desejos, mas quando estes ultrapassam os desejados, surge o desprezo. quando não há mais proximidade a se alcançar, perde a graça. somos preguiçosos e por isso a dificuldade de aceitar que o momento-hoje é mais importante que o para-sempre. a preguiça gera a vontade de concentrar todas as fontes de prazer em um único ser, além da necessidade de se igualar à ele e, consequentemente, ignorar o imenso valor que a diversidade representa em num relacionamento qualquer. como numa obrigação diária, procuramos aqueles que nos doam abraços sempre que surgem as vontades, na mesma importância míope que um remédio te cura quando doente.

por arthur ricardo

a união das qualidades que aprecio numa companhia feminina não devem, jamais, caber simultaneamente em uma única mulher. seria um tédio lidar com o estável diariamente. sem a natural dificuldade de se conseguir os benefícios criados por elas, eu perderia um dos meus maiores prazeres: a elaboração de uma estratégia barata de aproximação. falta-me habilidade para torná-la menos previsível e mais interessante, mas um dia eu chego lá.



a dificuldade precisa existir, mas não me refiro às "primeiras vezes", como o beijo ou sexo na primeira noite, que apenas suprem a necessidade dos homens de se afirmarem ainda mais homens. falo do cotidiano, do chegar em casa e não encontrá-la à sua espera, do ligar nas sextas à noite e ela não atender, do compromisso descompromissado, da exaltação à sua independência de mulher moderna e, no centro de tudo, do saber que você não é responsável por participar de todos os momentos que arranquem sorrisos dela.

o pouco e intenso

quando se entende que a mulher é uma espécie de fusão que estimula perigosamente e facilmente os vários sentidos do homem, percebe-se que ela não pode ser o tudo-ao-mesmo-tempo. seria nocivo demais, divertido de menos.

sábado, 15 de maio de 2010

o macho-verdade-excessiva



uma mostra da verdade divertida e dolorosa.

sempre penso a respeito de como seriam os relacionamentos se estes fossem colados pela sinceridade externada das pessoas, principalmente em momentos de não-conveniência-aparente. é um momento prazeroso pra mim (mesmo quando sou o alvo), o de ver a genial reação das pessoas encarando a verdade, rara, e por isso catalizadora, que constrói em instantes um sentimento de inutilidade incrível.

perdemos tempo demais falando demais. as palavras perdem o impacto, tornam o elogio menos potencialmente sexual e o apontar do defeito menos trágico. a tendência é piorar: o distanciamento só cresce entre as pessoas, impulsionando o blá blá blá sem fim das mentiras, estas que facilitam a aproximação de quem você gosta. é mais cômodo, simples, menos caótico. é o mesmo que, num dia frio, assistir almodóvar tomando jack daniel's e depois ouvir tom waits até amanhecer.

se eu conseguisse ser o mve - macho-verdade-excessiva - seria mais feliz e me consideraria um ser mais evoluído. pena que tenho (ainda) alguma imagem (cof cof) a zelar. mais pelos outros, creio... ok, ok, eu sei que que toda preocupação no outro é uma preocupação em si mesmo, então fingir um pouco não faz mal.



vou exercitar aqui esse meu almejado estado-constante-de-comportamento. situações, principalmente com o sexo oposto (o que torna tudo mais divertido), não me faltam na minha frágil memória:

no bar, dia desses

o que aconteceu
ela: ah, você ficou a noite toda olhando para as outras mulheres...
eu: que nada, te olhei desde que cheguei aqui, mas disfarcei para você não notar.

versão mve
ela: ah, você ficou a noite toda olhando para as outras mulheres...
eu: é, na verdade foi isso mesmo. como eu vi que não ia comer nenhuma dessas gringas maravilhosas, apelei para você, que já estava aqui na mesa com meu amigo. mas podemos transar mesmo assim ou vai fazer docinho?

no msn, com uma mulher qualquer

o que aconteceu
eu: mas e aí, gosta de sair pra onde aqui?
ela: não gosto de sair à noite, fico mais em casa mesmo.
eu: entendi, então é uma mulher caseira, que bom ;)

versão mve
eu: mas e aí, gosta de sair pra onde aqui?
ela: não gosto de sair à noite, fico mais em casa mesmo.
eu: entendi, mas ainda tenho uma dúvida: você fica em casa porque passa a madrugada fudendo com teu namorado ou porque quer dar uma de santa mesmo? só para informar, não gosto muito de santas, então acho que pode rolar algo entre a gente.

no msn, com uma menina sem graça (uma quase mulher-calcinha-bege)

o que aconteceu
ela: oooi, novidades?
eu: opa! tudo caminhando...

versão mve
ela: oooi, novidades?
eu: porra! não, não tem novidades. você deveria ser mais criativa e, no mínimo, vir falar comigo só quando tivesse algo interessante para compartilhar, já que eu não consigo ter novidades todo santo dia só pra preencher essa sua pergunta idiota. entenda: eu bebo em casa e bares em alguns dias da semana, caminho às 6h da manhã em alguns dias da semana, vejo filmes e séries de tv em alguns dias da semana e leio uns livros em alguns dias da semana... então, você poderia acompanhar a frequencia e fazer o mesmo: em alguns dias da semana, mude a porcaria dessa pergunta para ela não me entediar, ok?

no msn, com uma amiga que não vejo há anos

o que aconteceu
eu: e aê menina, tudo bem? vi suas fotos no orkut, estás bem bonita, hein? ;)
eu: ah, obrigada ;)

versão mve
eu: eu vi suas fotos no orkut dia desses e te achei muito gostosa, mesmo depois do parto. deve ter ficado várias horas na academia, executado exercícios na piscina e tudo o mais para não se sentir depressiva depois dele, né? ah, essa noite eu sonhei com você, não sei como, mas eu te beijava e a gente meio que estava num relacionamento e você me traía com fulano, que estudou com a gente no primeiro ano, lembra dele? é, isso não faz muito sentido mesmo, mas ainda assim quero transar com você, caso esteja interessada.
ela: {timeout}

no telefone, com uma mulher que vive de ilusões

o que aconteceu
eu: bateu umas saudades de você! estou te ligando pra saber se gostaria de ver um filme aqui em casa hoje. aceita o convite?
ela: aceito!

versão mve
eu: estou te ligando, pois faz um certo tempo que eu não transo e acho que você poderia me dar um pouco de prazer facilmente por alguns minutos. se você for embora, de táxi, logo depois de eu gozar, será perfeito e ficarei te devendo uma. estou inventando essa desculpa de filminho e tal para você me olhar como um homem romântico e ajudar no aceite do convite. sei que é clichê essa de ver filme, mas eu estou meio liso e não gostaria de ser visto em público ao seu lado... às vezes você se veste muito vadiamente e, digamos, és bem burrinha.
ela: aceito!

as palavras aqui escritas representam um agradecimento ao aumento da verdade no meu dia-a-dia, graças a alan shore:


segunda-feira, 10 de maio de 2010

abrace o aleatório



lá pelos meus 15 anos, minha vida se resumia a trabalhar por noites seguidas, sob efeito de pó de guaraná, e ouvir mark lanegan. minha felicidade era baseada basicamente nesses dois aspectos: trabalho e música. logo depois, engatei um relacionamento amoroso arrebatador para um jovem garotão cheio de espinhas na cara: namorei a menina branca, magra, charmosa, inteligente e da cidade perigosa. passava o mês todo juntando 200 reais para viajar e encontrá-la em um final de semana a cada mês. ficava no silêncio quase absoluto ao lado dela. foi quando adicionei mais 1 aspecto na minha coleção de fontes de sorriso. agora eram três. aos 21, tomei meu primeiro copo de whiskey e pela vida boêmia em que estive presente quando criança, graças aos meus pais, poderia dizer que foi tardio. só hoje consigo ver o quanto isso foi importante pra mim. com a bebida, tornei-me o super-machão: perdi o medo e a timidez que sempre me acompanharam, virei raparigueiro (saía de segunda à segunda), comia mulher todo santo dia. um dia, abusei dos excessos e aprendi que certos prazeres intensos podem te atrofiar.



você não pode chegar no ponto em que começa a achar que a felicidade está em poucas coisas, pois não está. você precisa exercitar a sua procura por ela, criar referências em tudo que está em sua volta, não se pode acomodar: há prazeres demais por aí te esperando. seus sentidos precisam ser estimulados e não vale se arrepender, nem ser cauteloso, pensar demais antes de agir. perde-se a graça e inibe a busca. não vale se preocupar muito com os outros, criar dependentes, deixar sua liberdade ir embora facilmente. perde-se o impulso, aquele que gera o que você realmente é, a sua verdade.



é preciso ser honesto com você mesmo, saber o que te apetece ou não, sem desprezar uma segunda chance e, quem sabe, várias. há prazeres que não são digeridos facilmente, como certas bebidas fortes ou músicas sem ritmo aparente. a fácil desistência pode lhe tirar prazeres incalculáveis lá na frente. então, apaixone-se pelo presente e abrace o que vier, se possível ao lado de boas companhias.