quinta-feira, 22 de abril de 2010

prefira um bate-papo a uma reunião



em quase toda minha carreira profissional (muito bom falar isso), trabalhei em locais e funções que exigiam contato constante com os clientes, mas foi na rits que eu realmente senti na pele o que era ser "atendimento", por necessidade, já que meus outros sócios tinham que colocar a mão-na-massa e produzir os projetinhos que nos transformaram nos milionários que somos hoje. quem me conhece, sabe que não sou lá muito simpático e social, características importantíssimas para um bom baba ovo atendimento, mas acho que consegui me virar durante esses anos, não sem receber muitos comentários negativos, é claro.

lidei com todos os tipos de pessoas possíveis e imagináveis, em reuniões onde o teletransporte seria muito útil e outras muito boas. contudo, eram poucas as pessoas que eu gostava de estar próximo nesse mundo-business-do-inglês-sofisticado-e-termos-novos-que-falam-a-mesma-coisa-sempre. são as mesmas pessoas que eu conseguia ficar à vontade num bar e contar minha vida pessoal, sem ficar pensando antes de falar. pela manhã, nos reuníamos para pensar nas campanhas (e no real resultado que ela ia proporcionar) e à noite, estávamos enchendo a cara com bebidas fortes, da cachaça aos drinks com guarda-chuvazinho afrescalhado, motivo de malhação desenfreada. falávamos sobre tudo, sem frescura, trocando experiências que só a diferença de idades sabe fazer.

nunca precisei dar tapinhas nas costas, nem apertar a mão com um sorrisinho falso no rosto pra conseguir o que eu queria. sempre fui honesto comigo, com meus clientes e minha empresa. é uma boa obrigação que eu tenho com meu pai, que me fez um único pedido, quando eu era criança: "meu filho, só te peço uma coisa na vida: seja honesto". ser honesto dá trabalho e é muito abrangente, então é meio foda cumprir isso à risca, mas eu acho que entendi o recado dele.

o problema é quando você esbarra em pessoas que não gostam de honestidade e acham que fazer negócio é viver engravatado e falar bonito, ser um robô e ficar repetindo jargões idiotas, munidos de cartões de visitas que contenham palavras como "consultor" e "analista". pessoas que você não pode falar a palavra "bate-papo", pois o correto é "reunião"; que preferem viver em colunas sociais, posando para fotos narcisistas (sempre de ladinho) com pessoas que elas odeiam; que adoram fazer reuniões para apresentar idéias "geniais", pois é óbvio que entendem de todas as áreas do conhecimento; que não sabem segurar a onda do seu cargo e saem fudendo os que estão abaixo sempre que levam uma pancada vinda lá de cima; que vivem correndo atrás de cartões vips para festas da high society, pois estas são palcos para mostrarem o falso refinamento que possuem.

prefiro conviver com o cliente que me manda uma mensagem quando está cagando (sim, eu tenho clientes que fazem isso), dizendo que se lembrou de mim. prefiro aquele que eu posso ligar de manhã e dizer que não vou à reunião porque estou ressacado. prefiro o que confia no que eu digo, mesmo que não concorde à princípio, pois tem a básica noção de que se ele me paga é porque não sabe ou não entende do assunto tanto quanto eu. prefiro aquele que eu posso atender de bermuda e chinelo, pois sabe que eu sou calorento pra caralho e minha roupa não irá interferir em nada nas idéias. enfim, sou mais chegado aos que valorizam mais a representação da vida real do que os padrões chatos dos negócios e entendem que informalidade não é falta de profissionalismo.

7 comentários:

Zé Mauro Nogueira disse...

Bem, espero que Moçambique tenha acabado com os drinks afrescalhados com guarda-chuvinhas...

la increible aventura disse...

já abandonei, mas de vez em quando ainda erro no pedido e sou supreendido com os adereços colados ao copo. sempre, sempre lembrarei de você e fábio quando isso acontecer hehe.

Carlos von Sohsten disse...

Pow! Arrebentou!
É isso mesmo! Ainda não liguei para vc do banheiro, mas que já twittei isso eu já fiz.
Vlw!!!

Vinicius Mosqueira disse...

Concordo. Talvez seja por isso que se chama trabalho. As pessoas começam a crer em 2 vidas diferentes. Profissional e pessoal. Difícil por vezes unir as duas. Mas sempre vale a pena tentar. Outras vezes não.

la increible aventura disse...

acho que vale a pena ser real sempre que possível. o trabalho sempre esteve presente de forma expressiva ao meu lado, brigando com o "pessoal", mas hoje eu não consigo mais viver essas duas vidas, é muito trabalhoso pra mim.

Lucy e Bira disse...

Por isso eu troco as festinhas sociais pelo mar quando posso, pq se um dia Deus mandar outro dilúvio para acabar com esses socialvirus eu vou estar na água e melhor, de barco! :P

Victor Holanda disse...

Depois que você falou que a Arial Rounded não ficou legal no layout dos peixinhos eu fiquei arrasado! ehauehaue abraço leo.