domingo, 7 de março de 2010

o conto do querer



após o almoço, umas tantas horas. era o momento do blackberry, dos e-mails que não paravam de chegar, dos olhos focados na tela que dizia "o-motivo-de-sua-felicidade-chega-daqui-a-30-minutos". e, de surpresa, chegou 1 minuto antes, me abordando de forma juvenil. e eu, sem saber muito o que fazer, apenas pensei: "me fodi, já me sinto tolo demais para continuar com isso". e seguimos no carro, sob a trilha sonora que havia preparado, aquela feita para pegar as mulheres mais frágeis. sem esperar muito, ouço um "tenho um carinho muito grande por você, acho que isso tudo será muito bom". e foi. e isso dói. então, no quarto haviam chocolates (organizados de forma cautelosa sobre os lençóis) e um desejo estampado de que naquele local os melhores prazeres ocorreriam. nos beijamos, da forma mais engraçada possível, sem o famoso clima romântico dos melhores filmes. mais tarde, me vi na bela obrigação de apreciar cada pedaço de sua pele branca, tão perfeitamente encaixado naquelas curvas. queria beijar, morder e tirar pedaço. queria ser um almodóvar amador por alguns segundos. na minha incapacidade, apenas chupei e meti, como manda o figurino masculino. pior, de forma romântica demais - aquele momento pedia mais, pedia o primata em excesso e eu falhei com isso (não consegui compensar nos dias seguintes). acordei mais cedo, fiz torradas e admirei a beleza cansada. ela sempre diz que foram as melhores torradas, mas faltou manteiga. faltou queijo. faltou presunto. faltou um sexo na mesa, naquele exato momento. seguimos rumo às praias, afinal, eu era o guia. ela, de biquini, com vergonha dos excessos do seu corpo. eu, de short-produzido-para-gordos-tímidos. e conseguimos viver assim, pelas próximas horas, sem muita conversa: o cansaço durante o dia, o sexo maravilhoso durante a noite. não tão maravilhoso quanto poderíamos proporcionar - culpa minha, admito. rimos, fomos irresponsáveis. a surpreendi, ela fez o mesmo, como se fosse compromisso firmado entre nós: contrato carimbado em cartório. bati fotos, admirei. vi seu rosto envelhecer anos, mas ao invés de renegar, me imaginei ao lado dela numa varanda - e como eu era feliz. tirei a barba, tentei agradar por alguns instantes. beijei, sem querer largar, mas ela teve que ir. chorei, chorei muito, como nunca havia chorado por uma mulher antes. parecia um bebê. cheguei a mandar flores meses depois, mas ela achou que eram só flores. ela, imediatista. eu, um impaciente almejando o tempo. eu, pensando em viver mais. ela, com medo.

5 comentários:

Polliana Araújo disse...

Puts...

Chorei e de uma forma tão silenciosa que fui capaz de ouvir nitidamente minha triste respiração.

Belo texto. Lindo, lindo, lindo. Consegui visualizar cada detalhe, muito preciso. Principalmente ela, com suas belas curvas de pele branca.

Histórias de amor assim me tocam bastante, pois fogem do padrão "e viveram felizes para sempre". Padrão esse qua a gente sabe que nunca existiu, só nas fábulas. E me encantam porque os raros amores que tive foram todos assim, incomuns.

Gostei mesmo. Principalmente da parte: "queria ser um almodóvar amador por alguns segundos.". Talves Almodóvar, extremamente intenso em seus filmes, seja um dos poucos nesse mundo que tem a capacidade de provar o que o amor nos oferece, da mais linda e inusitada forma.

Beijo =*

Aldo César disse...

Bicho, o que você ta tomando ai? Manda um desses pra mim. =D

NICE disse...

deixo as palavras pra ti... pois eu fiquei sem...

Sergio Aires disse...

você me surpreende. obrigado por ser meu amigo, uma amizade emocionante - a nata da emoção.

ginha disse...

em outro sentido,

deixo as palavras pra ti... pois eu fiquei sem... [2]