domingo, 14 de março de 2010

o belo par



descendo do carro, percebo que a noite já fazia promessas - como se me devesse muito. estava entre amigos, prestes a conhecer um novo ambiente e, apesar de febril, me sentia feliz. ao chegar na mesa, de forma tímida, as avistei rapidamente. tive sorte, pois tentavam se esconder - não sei ao certo o motivo - por baixo do tecido lilaz. percebi que não fui o único a notá-las, mas fingi que eram só minhas e que meu único objetivo naquela noite seria admirá-las. as imaginei nas posições mais comuns e em nenhum momento as vi em um ambiente regado a sexo. tentei observar nos mais diversos ângulos, como se examinasse a melhor pista do melhor crime já cometido. para meu sorriso, elas faziam parte de um composto ainda mais belo, que tentava ser charme em cada passo. no prender dos cabelos, no mostrar do seu longo e belo pescoço. no beber dos drinks, no dançar tímido. tiveram que partir, me deixando como punição para o resto da noite, a inutilidade.

Um comentário:

Sergio Aires disse...

VIII II VIII I IX II (zero) III VIII