terça-feira, 30 de março de 2010

nós e freshlyground na swaziland



a viagem começou pela madrugada, quando eu ainda exibia alguns videos de tool para serginho. em poucos minutos, o alerta: "temos que arrumar as malas, pois o pessoal já deve estar chegando". era quase 5 da manhã e não havíamos dormido ainda. a noite parecia chegar ao fim, após algumas novas amizades e muitas, muitas doses de jack daniel’s... que me faziam lembrar que os dias anteriores foram ocupados com um sempre presente "domingo vai ser foda". era alegria em excesso.



as músicas deles representam bem mais que uma qualidade sonora pra gente. representa a nossa estada aqui na áfrica, as nossas saudades de casa, loucuras, novas amizades e euforia por estarmos vivendo experiências maravilhosas, no som, sabor, visão, tato e, claro, no clichê daqueles que passam por isso. lembra-nos também de pons, que partiu de volta para o brasil, mas estava ao nosso lado durante o show.



com as malas prontas, muito sono e cansaço, morremos um pouco nos carros que nos levaram pra malkerns, na swaziland. voltamos a viver por volta das 10h, quando chegamos no willows lodge, localizado a 1km do house on fire, local onde aconteceria o show. morremos novamente por algumas horas, acordamos e fomos embora. chegamos, compramos fichas, bebidas (o clima frio combinava com o whiskey), nos alimentamos, dançamos e rimos – como sempre. zeca, victor, lenin & família nos acompanhavam. foram os fotógrafos da tarde.

a simpatia de zolani nos abraçou e o espetáculo começou.



veja mais fotos e vídeos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

os seios e ela



era alta, branca, cabelos pretos até os ombros e terrivelmente desengonçada. em excesso. tinha uns seios maravilhosos, suficientes para virar conteúdo - um tanto rápido e certeiro - entre os masculinos por boa parte daquela noite. não sabia dançar bem, mas tinha seios que desejavam ser beijados por toda a madrugada. possivelmente por todos naquele local, sem sexo definido. e seria ao mesmo tempo. agia como novata, mas sem tanta cautela. bebia livremente, de um lado para o outro, acompanhada de amigas que pareciam ditar o rumo de onde estar naquele palco. tinha seios que eram expressivos demais, muita responsabilidade. pensava em trocá-los por algo mais merecedor em seu corpo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

"e eu já estava lá a te esperar sem dizer adeus"



sentava, sobre o pequeno batente da universidade paraibana. o sol fazia questão de mostrar sua força, mas teimoso, eu tentava me esconder em sombras bestas - e cada árvore valia muito. numa dessas tentativas, passa por mim um belo vestido, vestido de charme bem jovial e potencialmente sacana. um perigo querendo ser inocente, daqueles que sentem prazer em fuder com a vida da gente. depois desse dia, vieram beijos, ligações para ex-pessoas-importantes e um corte de cabelo curto, terrivelmente sedutor. além de pequeno, era preto e contrastava com a cor querendo ser branca da pele, no rosto magro e desprentesioso. e ela ria bastante, pois sabia que o dia todo no salão faria uma grande diferença, apesar de tê-la tratado de forma tão bruta naquela mesma noite. não sabe ela que aquele passar de tesoura foi o responsável por tudo o que viria a seguir. pela vontade não só de beijar, mas de ser importante em cada pequeno momento de sua vida. e seguiram as boas masturbações, as brincadeiras inocentes que visavam beijos em seios e a tentativa de beijá-los em um ônibus interestadual. era o canalha de um lado e a aspirante a inocente do outro. mas, o sexo propriamente dito - a bela penetração desejada pelo macho-da-tribo - nunca houve. não que ela não desejasse, mas para ela, era mais prazeroso apenas não fazer. sentia prazer em ser desejada em excesso, não em executar o desejo. ela pega corpo, engrossa as pernas, fica mais carnuda, desperta o desejo da mordida, aprende línguas, vai morar no estrangeiro, paquera branquelos, dança demais, fica charmosa no p&b. ele, lento como só ele é, continua ele.

terça-feira, 16 de março de 2010

o bar, mulheres gostosas e afrodisíacos



sempre tive uma teoria, que a cada dia se comprova mais: os bons bares são os verdadeiros cabarés disfarçados. para mim, todos aqueles que estão ali vão com o intuito único e exclusivo de fazer sexo (no seu sentido mais amplo). sim, mesmo os mais "reservados". a diferença é que esses apenas não sabem - ainda - ou apenas renegam o fato, cuspindo argumentos falhos como o famoso "vim aqui só para me divertir". os bons bares são ambientes que incentivam os excessos, os sentidos e que podem ser representados pela somatória básica a seguir: música alta + álcool + saias curtas + maquiagens borradas + filas intermináveis nas portas dos banheiros + pessoas em pé trocando peles.

e nesse ambiente, vale de tudo para se obter a atenção do sexo oposto. vale esbarrar "sem querer", fazer a dança mais chamativa, oferecer uma bebida. mas, é a felicidade que se expoê naquela noite que pesa mais. ela vem das boas gargalhadas entre os amigos numa mesa, enquanto as mais desejadas passam ao redor e se perguntam "qual o motivo de tanta felicidade, se a mulher mais gostosa desse ambiente sou eu?". faz sentido, visto que a felicidade de muitos homens se concentra exatamente em observar mulheres gostosas - para uns, é a única que existe. para mim, às vezes também é.

mas, para alguns poucos, não é suficiente. e não é suficiente, pois um bom bar pode oferecer muito mais. há a conversa com o garçom-irmão-mais-velho, que te pergunta "tirou a barba?", com cara de desânimo. há a banda ruim, que você nem liga mais de tanto ouvir, pois nem sabe mais o significado dessa palavra. e há o grande momento de indiferença para o macho-fracassado, que ignora a bela mulher que desfila à frente de seus olhos, somente pelo fato dela querer a sua atenção. não sabe ele, que nesse ato pobre de esnobar, pertencente aos que não tem mais nada à oferecer, deixa para ela o melhor afrodisíaco da noite.

domingo, 14 de março de 2010

o belo par



descendo do carro, percebo que a noite já fazia promessas - como se me devesse muito. estava entre amigos, prestes a conhecer um novo ambiente e, apesar de febril, me sentia feliz. ao chegar na mesa, de forma tímida, as avistei rapidamente. tive sorte, pois tentavam se esconder - não sei ao certo o motivo - por baixo do tecido lilaz. percebi que não fui o único a notá-las, mas fingi que eram só minhas e que meu único objetivo naquela noite seria admirá-las. as imaginei nas posições mais comuns e em nenhum momento as vi em um ambiente regado a sexo. tentei observar nos mais diversos ângulos, como se examinasse a melhor pista do melhor crime já cometido. para meu sorriso, elas faziam parte de um composto ainda mais belo, que tentava ser charme em cada passo. no prender dos cabelos, no mostrar do seu longo e belo pescoço. no beber dos drinks, no dançar tímido. tiveram que partir, me deixando como punição para o resto da noite, a inutilidade.

domingo, 7 de março de 2010

o conto do querer



após o almoço, umas tantas horas. era o momento do blackberry, dos e-mails que não paravam de chegar, dos olhos focados na tela que dizia "o-motivo-de-sua-felicidade-chega-daqui-a-30-minutos". e, de surpresa, chegou 1 minuto antes, me abordando de forma juvenil. e eu, sem saber muito o que fazer, apenas pensei: "me fodi, já me sinto tolo demais para continuar com isso". e seguimos no carro, sob a trilha sonora que havia preparado, aquela feita para pegar as mulheres mais frágeis. sem esperar muito, ouço um "tenho um carinho muito grande por você, acho que isso tudo será muito bom". e foi. e isso dói. então, no quarto haviam chocolates (organizados de forma cautelosa sobre os lençóis) e um desejo estampado de que naquele local os melhores prazeres ocorreriam. nos beijamos, da forma mais engraçada possível, sem o famoso clima romântico dos melhores filmes. mais tarde, me vi na bela obrigação de apreciar cada pedaço de sua pele branca, tão perfeitamente encaixado naquelas curvas. queria beijar, morder e tirar pedaço. queria ser um almodóvar amador por alguns segundos. na minha incapacidade, apenas chupei e meti, como manda o figurino masculino. pior, de forma romântica demais - aquele momento pedia mais, pedia o primata em excesso e eu falhei com isso (não consegui compensar nos dias seguintes). acordei mais cedo, fiz torradas e admirei a beleza cansada. ela sempre diz que foram as melhores torradas, mas faltou manteiga. faltou queijo. faltou presunto. faltou um sexo na mesa, naquele exato momento. seguimos rumo às praias, afinal, eu era o guia. ela, de biquini, com vergonha dos excessos do seu corpo. eu, de short-produzido-para-gordos-tímidos. e conseguimos viver assim, pelas próximas horas, sem muita conversa: o cansaço durante o dia, o sexo maravilhoso durante a noite. não tão maravilhoso quanto poderíamos proporcionar - culpa minha, admito. rimos, fomos irresponsáveis. a surpreendi, ela fez o mesmo, como se fosse compromisso firmado entre nós: contrato carimbado em cartório. bati fotos, admirei. vi seu rosto envelhecer anos, mas ao invés de renegar, me imaginei ao lado dela numa varanda - e como eu era feliz. tirei a barba, tentei agradar por alguns instantes. beijei, sem querer largar, mas ela teve que ir. chorei, chorei muito, como nunca havia chorado por uma mulher antes. parecia um bebê. cheguei a mandar flores meses depois, mas ela achou que eram só flores. ela, imediatista. eu, um impaciente almejando o tempo. eu, pensando em viver mais. ela, com medo.

terça-feira, 2 de março de 2010

viagem à phalaborwa



malas no carro e tanque cheio: tudo pronto para a viagem. pegamos a estrada por volta das 15h, munidos de mapas amadores e muita sorte nos bolsos. ao chegarmos na fronteira, aquele embaço peculiar da galera moçambicana que nos forçou a contribuir com a corrupção do país, pedindo ajuda aos bons moços que lá "trabalham" e vivem em busca de aventureiros apressados como nós. após aproximadamente 1h entre as duas fronteiras, continuamos a viagem, agora com olhos mais atentos aos mapas.



depois de algumas horas e alguns trechos errados, chegamos bem no poona lodge, de surpresa, pois eu havia esquecido um detalhe não muito importante: o endereço do local. fomos recepcionados pela adorável dee, que logo perguntou "quem é leonardo?" e como se nós fossemos já amigos de longa data, nos levou ao nosso quarto, o mais aconchegante em que já estive. sua filha tineal nos acompanhava e se prontificava para nos levar à cidade e conhecer os bons lugares para bebermos e nos divertirmos.



saímos, seguindo tineal e nathan (amigo dela), e chegamos no primeiro bar, que apesar de vazio, era bastante acolhedor. logo de cara, fizemos amizade com o bêbado-da-cidade, um figura. tomamos algumas doses no balcão e fomos embora para uma boate chamada arrows. assim que entramos, me senti na festa-de-high-school-music-que-eu-nunca-estive. uma galera bem nova, mas o ambiente divertido. após pegar a primeira dose, começamos a mostrar nossas habilidades de dança para todos ali que estivessem dispostos a ver o nosso show. fomos apresentados à alguns amigos de tineal/nathan e quando a última música parou, fomos embora. a partir daí, lembro-me muito pouco do que aconteceu, além do fato de eu ter ido tomar banho na piscina do lodge.

pela manhã, fomos nos alimentar e rir das coisas engraçadas da noite passada. seguimos em direção à área de exploração da mina local para ver um buraco gigante que parecia ser uma bela ilustração aos nossos olhos. o esforço de subir a "montanha" valeu muito:



depois fomos à outro bar, na beira de um rio e ficamos por lá por alguns minutos. a placa que dizia para ficar longe do rio era bem convincente, pois pessoas já haviam sido engolidas por crocodilos e hipopótamos naquela área.



de volta ao lodge, fomos para a piscina, comemos um queijo-com-um-molho-de-pimenta-doce-perfeito, tomamos banho e fomos para o estádio.



o calor começava a brigar com a gente. assistimos a uma apresentação africana, com momentos bem homossexuais, como podem ver:



ficamos no campo, dançamos muito e participamos de uma espécie de ritual para tomar amarula de uma senhora que parecia ser a rainha daquele lugar.



todos se amontoavam por perto, aguardando o momento em que ela abriria o seu balde para todos pegarem a bebida.



foi escurecendo e nada do show de freshlyground, o motivo principal de nossa viagem. resolvemos comer algo na cidade e fomos à outro bar, onde fizemos novas amizades.



voltamos por volta das 18h para o estádio e o clima começou a ficar tenso, pois a galera do festival estava bebassa e nós éramos os únicos brancos ali (leia "apartheid 2.0"). roubaram a carteira de um dos nossos amigos. depois de muito debate, resolvemos ir para a boate do dia anterior. chegamos, tomamos um shot pesadíssimo de uma bebida destilada de pêssego e após um bate-papo lá fora, fomos dançar novamente. ficamos na boate até a última música. nos divertimos muito.

pela manhã do domingo, tomamos café-da-manhã, nos despedimos das novas amizades e pegamos a estrada. voltamos pelo kruger park, vimos mais alguns bichos e continuamos a viagem. chegamos à noite, mais de 10h dentro do carro, mortos. hoje, ainda me sinto ressacado pelos 3 dias intensos, mas com ótimas lembranças e amizades.