segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

sobrevivência e oportunidades em maputo

após 2 meses em terras moçambicanas e, portanto, já passada a fase de turista - aquela onde tudo é bacaninha - me sinto capacitado para montar um manual rápido de "sobrevivência e oportunidades em maputo", a capital do país e onde moro. nessa primeira edição, vou falar sobre 3 assuntos: táxi, vendedores ambulantes e alimentação.


esse figura não tem nada a ver com o post, mas ele deu um show no reveillon.

1. táxi: a maioria (99,999999%) dos táxis aqui são bem antigos, carros bem destruídos pelo tempo, que não ouvem a palavra manutenção há muitos anos. chega a ser engraçado e ao mesmo tempo bem desafiador / emocionante pegar um táxi em maputo. cada viagem é uma aventura inesquecível (esqueça pular de paraquedas ou bungee jumping), daquelas que você um dia contará para os seus netos. dias atrás, pedi um táxi para me pegar numa festa e ao chegar, já estava com uma "cliente" no banco da frente. achei estranho, mas segui viagem. chegando próximo de casa, ela me ofereceu uma "massagem para relaxar". deveria ter aceitado, quem sabe teria conseguido uma casadinha com a corrida.

dica #1: se você é daquelas pessoas que só gostam de ir no banco da frente do carro, avise ao taxista para não levar massagistas em sua corrida. se não faz questão disso e quer prolongar a noite, tente fechar um combo com ele e, se interessado em empreender por essas bandas, já proponha a criação de um clube fidelidade (oportunidade #1).

2. vendedores ambulantes: jamais, repito, jamais cruze o seu olhar com o de algum vendedor ambulante, seja do que for. caso isso ocorra, prepare sua alma para entrar numa guerra: sua arma será a palavra "não" e deverá ser usada milhares de vezes no menor intervalo possível de tempo. em um determinado momento, seu oponente se convencerá de que não será capaz de lhe vender nada, mas fique atento, pois outra cruzada de olhos e tudo começará novamente, como se a primeira batalha tivesse sido totalmente em vão.

dica #2: aprenda a ignorar os vendedores ambulantes. pode ser árduo no começo - para quem tem coração bom - mas logo depois você verá que essa é a melhor forma de se livrar deles. a grande questão é a falta de foco deles nas vendas. um exemplo: ontem, almoçava em um restaurante e me chega um ambulante querendo me vender tomadas. qual a relação entre pernil de porco x tomadas? nenhuma. talvez se ele tivesse me vendendo um garfo, faca ou uma caneta para eu assinar meu cartão, eu teria comprado. é aí que entramos na oportunidade #2: elaborar um curso rápido de vendas segmentadas para vendedores ambulantes. esse projeto tem um apelo econômico (aumentará as vendas deles) e turístico, deixando os visitantes - e moradores que se parecem visitantes, como eu - mais relaxados em sua estadia, pois a abordagem será relevante, quase um marketing one-to-one das ruas.

3. alimentação: aqui, eles levam o slow food à risca, um estilo de vida, digamos. são poucos os restaurantes que servem os pratos rapidamente, a menos que este seja o "prato do dia". meu sonho é visitar uma cozinha dessas e saber o que se passa lá dentro... reza a lenda que os cozinheiros jogam xadrez enquanto preparam as comidas, que aqui não possuem muito sal. os dois acompanhamentos globais em qualquer prato que pedir por aqui são: batatas fritas ou arroz com legumes. meu mentor serginho descobriu que aqui também fazem purê se você insistir para o garçom, então estamos nessa: agora a lei é implorar por purê, não importa qual tenha sido o nosso pedido. ah, em moçambique existe uma pimenta bem famosa, o maldito piri-piri, feito pelo capeta e enviada diariamente para todos os restaurantes daqui. outro fato marcante é o de que a maioria dos menus não informam os acompanhamentos dos pratos, então sempre é bom questionar para o garçom. certa vez, viram num cardápio aqui o item "salada grega" e o seu descritivo era "precisa algo mais?" ah, claro, todas as 6 bilhões de pessoas no mundo sabem do que é feita uma salada grega, afinal, este é um prato universal.

dica #3: se você não gosta de comida realmente apimentada, peça sempre o piri-piri separado. para qualquer prato, pergunte antes sempre se é apimentado, por mais que o prato escolhido por você não combine - teoricamente - com pimenta. a oportunidade é a mais lógica possível: crie um restaurante fast food e fique milionário da noite para o dia.

4 comentários:

Larissa Fernandes disse...

Bom ver você se aventurando por águas desconhecidas. Você podia carregar sua mãe para morar aí com você e abrir um restaurante com a comidinha gostosa dela! Hummmm... Vou ver se passo lá esses dias pra comer uma picanhazinha com purê! SEM piri-piri!!

=)

la increible aventura disse...

ela odeia essa idéia de pegá-la e levá-la para algum lugar para montar um restaurante e por acaso, já foram sugeridas várias cidades. a comidinha dela está fazendo falta por aqui. muita.

olavo disse...

segura as pontas.

Anônimo disse...

KKKK
Muito bom. Exatamente isso.... Só quem presencia sabe como é..... rssss