sábado, 11 de dezembro de 2010

"saudade é felicidade abafada, futura."



repetição engraçada do apelido carinhoso que nos presenteamos. cansaço na chegada, de calça jeans e mala perdida. sentir que o
gostar dela te banha de vergonha e joga na cara a tua incapacidade de retornar a dedicação. felicidade estampada em ver outro animal colorido de perto, ao cruzar fronteiras próximas. morder a face de forma amigável e deixar registrado no digital o carinho que tinha por ela. achar graça na mão que suporta o queixo. gozar com ela, por vezes desejando somente o abraço posterior. silêncio que me agradava com uma paz singular. engraçada repetição do carinhoso apelido que nos presenteamos.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

eu fui.

los hermanos em uma roupagem mais simpática.

com saída de natal programada para as 14h da tarde, resolvi seguir a bela máxima de lobão "sempre em dia com o seu atraso", pegando a estrada lá pelas 16h e pouco, rumo a joão pessoa, com o objetivo de capturar o animal oportunista e seguir para recife, a são paulo nordestina. a felicidade de fazer o revival moçambicano no encontro com pons era uma das poucas coisas que me empolgava, já que estava indo para o show dos los bostanos hermanos para pagar uma suposta dívida de amizade.

por volta das 21h, chegamos no apto de pons sem sofrer nenhum atentado, tiro ou sequestro (ainda bem que sou desconhecido por lá). depois daquele velho e bom banho, seguimos para o centro de convenções de recife e aí começou a saga noturna por aquele que seria o pior show da minha vida (falando sonoricamente, já que as companhias eram boas). ao chegar no estacionamento, já ouço um coro dos fãs cantando uma música deles e pensei "que felicidade, o show já começou e por isso serei obrigado a assisti-lo por menos tempo"… puro engano e dor-de-cabeça instantânea.

fãs da banda em frente ao palco.

após adentrar naquele cenário woodstock-acimentado, onde jovens barbudos e fake-alternativos desfilavam pelo pátio, fui atrás de vodkas que pudessem me confortar pelas horas adiante.

o início do show começa a demorar e os fãs a ficarem revoltadinhos. somente quando surge o primeiro barbudo no palco, a felicidade e o delírio toma conta da garotada. nesse exato momento, todos bebem um gole d'água e se preparam para a cantoria dos próximos minutos. começa a minha real diversão: o hobby em observar fixamente alguns fãs cantando as músicas com o objetivo de constrangê-los. ah, para quem não sabe, o show de los hermanos é o momento onde rola uma espécie de competição-não-declarada, onde cada fã tenta mostrar que é mais fã do que está ao seu lado, cantando todas as letras do começo ao fim.

quando erram uma letra, sentem-se como os jovens japoneses que não conseguem passar no vestibular e o suicídio torna-se inevitável. infelizmente, assistimos à cenas como essa abaixo, na saída do show, onde um jovem se matou no estacionamento. amigos comentaram que ele errou um refrão de numa única música e não ia aguentar conviver com isso. final trágico.

jovem se mata após errar refrão de música.

após presenciarmos a terrível cena, seguimos para a pin-up burgueria lanchar e descansar daquela noite. esse foi o melhor momento do show.

domingo, 29 de agosto de 2010

e o medo da felicidade



e da responsabilidade que ela carrega, perdendo a liberdade para a doação de forma estranha, não-natural e comedora de pedaços. é sorrir pensando em ser pai, exemplar, social. aquilo que não fui e não tenho muita prática para ser.

terça-feira, 29 de junho de 2010

sobre gostar de filhos da puta



na primeira vez que o vi, pensei que ele era um filho da puta. na segunda, apenas me certifiquei que era mesmo. depois de um tempo, percebi que ele era mais que isso: era também um oportunista, interesseiro, que se achava muito fodão e estava bem perdido. foi quando fiquei feliz em saber que não estava só em achar graça em tomar stroh só para reclamar depois que é muito forte. vi que não era o único por perto que dominava a incrível-arte-de-gastar-dinheiro-com-itens-idiotas como uma câmera aquática que jamais terá seus filmes revelados. torcemos - de forma insana - para os times mais fracos da copa e sempre contra o brasil, pois queríamos dar gargalhadas em meio a quem leva à sério demais coisas que pra gente não fazem o menor sentido. achamos graça em viver o minuto agora, mas quando a lucidez chega de vez em quando, trocamos sugestões após alertas embriagados de que queremos apenas falar e não ouvir o que já sabemos. chutamos o balde todos os dias, juntos, com o cuidado de não chutá-lo longe demais: temos medos em comum. aproveitamos até o amanhecer as noites desacreditadas de diversão pelos outros. vivemos entre o requintado e o primitivo, o whiskey e a cerveja, o eletrônico e fagner, o tubarão e a boate, o cachecol e as chinelas, o talento e a preguiça. ora família, ora amigo. sempre, até as próximas vinte e quatro horas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinze horas e cinquenta e sete minutos



o tempo que levou para ela me responder. estava perdido entre a febre, vitaminas, beliches, chão de madeira irritante, frio e o desejo de ir para a rua e não voltar nunca mais. estava fugindo de uma sacola de coisas, mas em boa companhia. fiquei em silêncio, ela retrucou após três dias, procurando por algo que ia de encontro à sua falta de curiosidade, algo que viria a se orgulhar (sem muita credibilidade) quando o diálogo começou – e não quis mais parar. ela pedia para saber como eu estava, eu pedia os produtos dela: "o que você pode me oferecer, bela moça?" – gritei de longe. começamos um escambo despretensioso, onde a troca de músicas era por textos e as fotos pelo passado; onde a sua imagem distante valia meus elogios previsíveis. nos demos bem, demasiadamente, e criamos a cultura da conversa todos os dias. as obrigações sadias vieram, carregando com elas as cobranças mútuas que não faziam muito sentido além de nossa própria diversão. e, enquanto falava claramente que desejava mordê-la por inteiro, ela apenas desmerecia, sem esconder sua excitação pelo assunto. marcamos um encontro. concordamos que seria melhor assim.

domingo, 6 de junho de 2010

a mulher moderna e o mve: esquece-me


segunda-feira, 31 de maio de 2010

quero romance

mas espero o livro de presente, pois não saberia comprá-lo. quero também os pertences mais aparentes dela, frutos do orgulho e necessidade de se mostrar forte, combustíveis para esquecer uma antiga mágoa. espero sua dança atraente - onde o vulgar não me fez entender - suportada pelas botinhas feias que confrontam o que acho ser bom gosto. beijar novamente, através de dedos temerosos, cada vértebra sua e sorrir logo após de forma aliviada. externar comentários aleatórios e sem nexo aparente, sentindo ciúmes, na incerteza desejada que serão em vão. tentar domá-la, só para vê-la praticar o seu charminho-de-independência.


"...to feel connected enough to step aside and weep like a widow."

ler, ao lado dela, apenas uma página a cada noite, aceitando seus deboches sem protestos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

"vamos pra madri?"

"se liga, mané."

segunda-feira, 13h15min
maia: preciso muito viajar nesse final-de-semana.
eu: humm...
maia: vamos pra madri? vamos? vamos?
eu: vamos? vamos!
maia: vamos!

às 15h30, sexta-feira, chegamos em cape town (south africa). bebemos por dois dias, andamos pra cima e pra baixo na long street. quase fomos assaltados, mas a nossa agressividade-neanderthal espantou os malandrões. conhecemos vários pubs, bares, restaurantes e nadamos com os tubarões brancos. aliás, eu vomitei e nadei, maia vomitou e dormiu no barco. abaixo, uma cape town como você nunca viu. selecionei apenas as melhores fotos:

ótimo marcador de lugares de sala de cinema, recomendo.

câmera para fotos aquáticas, inutilizada até o momento.

africanos na áfrica.

chinês que foi nossa grande inspiração na área fotográfica da viagem.

excelente estacionamento em shopping, recomendo.

mestre dos magos deu o ar da sua graça.

maia, ao final de um corredor que dá para o banheiro.

"felicidad."

mini-fogão do hostel. não posso recomendar, pois não usei.

rodas do carrinho que leva o barco até a água.

mantendo a forma através da ração de cachorro.

boa sinalização, bem útil após a ração de cachorro.

alimentando os tubarões brancos: é por isso que eles são tão nervosinhos.

remelinha de leve.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

a mulher moderna e o mve: o encontro



não conhece o mve (macho-verdade-excessiva)? leia aqui.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

um rascunho da mulher esperada



é preciso ser abraço, mas também nuca.

ao mesmo passo que o macho gosta de prover segurança, ele também aprecia sua falta. as pessoas vivem atrás dos desejos, mas quando estes ultrapassam os desejados, surge o desprezo. quando não há mais proximidade a se alcançar, perde a graça. somos preguiçosos e por isso a dificuldade de aceitar que o momento-hoje é mais importante que o para-sempre. a preguiça gera a vontade de concentrar todas as fontes de prazer em um único ser, além da necessidade de se igualar à ele e, consequentemente, ignorar o imenso valor que a diversidade representa em num relacionamento qualquer. como numa obrigação diária, procuramos aqueles que nos doam abraços sempre que surgem as vontades, na mesma importância míope que um remédio te cura quando doente.

por arthur ricardo

a união das qualidades que aprecio numa companhia feminina não devem, jamais, caber simultaneamente em uma única mulher. seria um tédio lidar com o estável diariamente. sem a natural dificuldade de se conseguir os benefícios criados por elas, eu perderia um dos meus maiores prazeres: a elaboração de uma estratégia barata de aproximação. falta-me habilidade para torná-la menos previsível e mais interessante, mas um dia eu chego lá.



a dificuldade precisa existir, mas não me refiro às "primeiras vezes", como o beijo ou sexo na primeira noite, que apenas suprem a necessidade dos homens de se afirmarem ainda mais homens. falo do cotidiano, do chegar em casa e não encontrá-la à sua espera, do ligar nas sextas à noite e ela não atender, do compromisso descompromissado, da exaltação à sua independência de mulher moderna e, no centro de tudo, do saber que você não é responsável por participar de todos os momentos que arranquem sorrisos dela.

o pouco e intenso

quando se entende que a mulher é uma espécie de fusão que estimula perigosamente e facilmente os vários sentidos do homem, percebe-se que ela não pode ser o tudo-ao-mesmo-tempo. seria nocivo demais, divertido de menos.

sábado, 15 de maio de 2010

o macho-verdade-excessiva



uma mostra da verdade divertida e dolorosa.

sempre penso a respeito de como seriam os relacionamentos se estes fossem colados pela sinceridade externada das pessoas, principalmente em momentos de não-conveniência-aparente. é um momento prazeroso pra mim (mesmo quando sou o alvo), o de ver a genial reação das pessoas encarando a verdade, rara, e por isso catalizadora, que constrói em instantes um sentimento de inutilidade incrível.

perdemos tempo demais falando demais. as palavras perdem o impacto, tornam o elogio menos potencialmente sexual e o apontar do defeito menos trágico. a tendência é piorar: o distanciamento só cresce entre as pessoas, impulsionando o blá blá blá sem fim das mentiras, estas que facilitam a aproximação de quem você gosta. é mais cômodo, simples, menos caótico. é o mesmo que, num dia frio, assistir almodóvar tomando jack daniel's e depois ouvir tom waits até amanhecer.

se eu conseguisse ser o mve - macho-verdade-excessiva - seria mais feliz e me consideraria um ser mais evoluído. pena que tenho (ainda) alguma imagem (cof cof) a zelar. mais pelos outros, creio... ok, ok, eu sei que que toda preocupação no outro é uma preocupação em si mesmo, então fingir um pouco não faz mal.



vou exercitar aqui esse meu almejado estado-constante-de-comportamento. situações, principalmente com o sexo oposto (o que torna tudo mais divertido), não me faltam na minha frágil memória:

no bar, dia desses

o que aconteceu
ela: ah, você ficou a noite toda olhando para as outras mulheres...
eu: que nada, te olhei desde que cheguei aqui, mas disfarcei para você não notar.

versão mve
ela: ah, você ficou a noite toda olhando para as outras mulheres...
eu: é, na verdade foi isso mesmo. como eu vi que não ia comer nenhuma dessas gringas maravilhosas, apelei para você, que já estava aqui na mesa com meu amigo. mas podemos transar mesmo assim ou vai fazer docinho?

no msn, com uma mulher qualquer

o que aconteceu
eu: mas e aí, gosta de sair pra onde aqui?
ela: não gosto de sair à noite, fico mais em casa mesmo.
eu: entendi, então é uma mulher caseira, que bom ;)

versão mve
eu: mas e aí, gosta de sair pra onde aqui?
ela: não gosto de sair à noite, fico mais em casa mesmo.
eu: entendi, mas ainda tenho uma dúvida: você fica em casa porque passa a madrugada fudendo com teu namorado ou porque quer dar uma de santa mesmo? só para informar, não gosto muito de santas, então acho que pode rolar algo entre a gente.

no msn, com uma menina sem graça (uma quase mulher-calcinha-bege)

o que aconteceu
ela: oooi, novidades?
eu: opa! tudo caminhando...

versão mve
ela: oooi, novidades?
eu: porra! não, não tem novidades. você deveria ser mais criativa e, no mínimo, vir falar comigo só quando tivesse algo interessante para compartilhar, já que eu não consigo ter novidades todo santo dia só pra preencher essa sua pergunta idiota. entenda: eu bebo em casa e bares em alguns dias da semana, caminho às 6h da manhã em alguns dias da semana, vejo filmes e séries de tv em alguns dias da semana e leio uns livros em alguns dias da semana... então, você poderia acompanhar a frequencia e fazer o mesmo: em alguns dias da semana, mude a porcaria dessa pergunta para ela não me entediar, ok?

no msn, com uma amiga que não vejo há anos

o que aconteceu
eu: e aê menina, tudo bem? vi suas fotos no orkut, estás bem bonita, hein? ;)
eu: ah, obrigada ;)

versão mve
eu: eu vi suas fotos no orkut dia desses e te achei muito gostosa, mesmo depois do parto. deve ter ficado várias horas na academia, executado exercícios na piscina e tudo o mais para não se sentir depressiva depois dele, né? ah, essa noite eu sonhei com você, não sei como, mas eu te beijava e a gente meio que estava num relacionamento e você me traía com fulano, que estudou com a gente no primeiro ano, lembra dele? é, isso não faz muito sentido mesmo, mas ainda assim quero transar com você, caso esteja interessada.
ela: {timeout}

no telefone, com uma mulher que vive de ilusões

o que aconteceu
eu: bateu umas saudades de você! estou te ligando pra saber se gostaria de ver um filme aqui em casa hoje. aceita o convite?
ela: aceito!

versão mve
eu: estou te ligando, pois faz um certo tempo que eu não transo e acho que você poderia me dar um pouco de prazer facilmente por alguns minutos. se você for embora, de táxi, logo depois de eu gozar, será perfeito e ficarei te devendo uma. estou inventando essa desculpa de filminho e tal para você me olhar como um homem romântico e ajudar no aceite do convite. sei que é clichê essa de ver filme, mas eu estou meio liso e não gostaria de ser visto em público ao seu lado... às vezes você se veste muito vadiamente e, digamos, és bem burrinha.
ela: aceito!

as palavras aqui escritas representam um agradecimento ao aumento da verdade no meu dia-a-dia, graças a alan shore:


segunda-feira, 10 de maio de 2010

abrace o aleatório



lá pelos meus 15 anos, minha vida se resumia a trabalhar por noites seguidas, sob efeito de pó de guaraná, e ouvir mark lanegan. minha felicidade era baseada basicamente nesses dois aspectos: trabalho e música. logo depois, engatei um relacionamento amoroso arrebatador para um jovem garotão cheio de espinhas na cara: namorei a menina branca, magra, charmosa, inteligente e da cidade perigosa. passava o mês todo juntando 200 reais para viajar e encontrá-la em um final de semana a cada mês. ficava no silêncio quase absoluto ao lado dela. foi quando adicionei mais 1 aspecto na minha coleção de fontes de sorriso. agora eram três. aos 21, tomei meu primeiro copo de whiskey e pela vida boêmia em que estive presente quando criança, graças aos meus pais, poderia dizer que foi tardio. só hoje consigo ver o quanto isso foi importante pra mim. com a bebida, tornei-me o super-machão: perdi o medo e a timidez que sempre me acompanharam, virei raparigueiro (saía de segunda à segunda), comia mulher todo santo dia. um dia, abusei dos excessos e aprendi que certos prazeres intensos podem te atrofiar.



você não pode chegar no ponto em que começa a achar que a felicidade está em poucas coisas, pois não está. você precisa exercitar a sua procura por ela, criar referências em tudo que está em sua volta, não se pode acomodar: há prazeres demais por aí te esperando. seus sentidos precisam ser estimulados e não vale se arrepender, nem ser cauteloso, pensar demais antes de agir. perde-se a graça e inibe a busca. não vale se preocupar muito com os outros, criar dependentes, deixar sua liberdade ir embora facilmente. perde-se o impulso, aquele que gera o que você realmente é, a sua verdade.



é preciso ser honesto com você mesmo, saber o que te apetece ou não, sem desprezar uma segunda chance e, quem sabe, várias. há prazeres que não são digeridos facilmente, como certas bebidas fortes ou músicas sem ritmo aparente. a fácil desistência pode lhe tirar prazeres incalculáveis lá na frente. então, apaixone-se pelo presente e abrace o que vier, se possível ao lado de boas companhias.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

gordinhos só se fodem



prefácio

eu aprendi a conviver com leo (e ele comigo) e não preciso ouvir um "obrigado", pra saber que ele me agradeceu, ou um "desculpa", pra saber que ele está arrependido. leo demonstra o que ele pensa de uma maneira clara, pra quem o conhece profundamente. e o pedido dele pra que eu faça o – possivelmente – primeiro prefácio da história da literatura da internet é, claramente, um agradecimento pelos quilos que eu o fiz perder.

tornar leo uma pessoa mais vertical e menos horizontal foi (e vem sendo) um trabalho duro, exaustivo e que consome minha paciência, pois transformar um cara criado numa casa onde a cozinheira é uma mulher vinda do interior do nordeste – e, portanto, digna de 3 estrelas michelin – num ex-gordo é uma experiência que deveria ser documentada em vídeos, fotos e relatórios.

o texto de leo é sincero porque é uma espécie de desabafo autobiográfico. leiam com bom humor e na esperança de que um dia ele diminuirá – ainda mais – sua superfície de contato.

sergio aires


capítulo 1 – festas e eventos sociais



se um magro come 234 coxinhas e 541 docinhos, tudo bem, mas se for um gordinho... aí já viu, né? gordinhos não podem comer nada em lugares com muitas pessoas, pois além da provável falta de habilidade manual – que poderá causar desastres no local – ele sempre será julgado, simplesmente por estar comendo. é quase uma lei impossível de ser cumprida para os gordinhos: não sentir fome fora de casa.

capítulo 2 – na prática de exercícios físicos



no futebol, há dois cenários: se você é dono da bola, poderá jogar na linha, mas caso não seja, é tiro certo que vai pro gol e passará por momentos embaraçosos, levando frangos e quedas terríveis. será um exercício físico e de destruição da pouca autoestima que o gordinho ainda possui. há também a visita à academia, sempre constrangedora. a sua camisa sempre será a mais suada e você poderá ter a certeza que sempre, sempre irão pensar algum comentário maldoso a seu respeito a partir do momento que você cruza a roleta da entrada (ambiente tenso, pois são raros os gordinhos que conseguem cruzá-la facilmente).

capítulo 3 – nos apelidos e comparativos



no social do dia-a-dia, surgirão os apelidos que sempre terminam com "inho(a)" (em contradição ao próprio tamanho do ser): gorinho, fofinho, bolinha, rolhinha, leitãozinho e por aí vai. se você é gordinho, também parecerá sempre com alguém, geralmente um ator famoso ou alguém que virou piada na internet. se você for gordinho e barbado, suas chances aumentarão. é como se os gordinhos fossem pessoas genéricas, preparadas sempre para serem comparadas com o que estiver no eixo ridículo-hit-do-entretenimento. já disseram que eu pareço com o cara acima, ainda bem que ele é fodão.

capítulo 4 – gordinho convivendo com gordinho



eu nunca tive amigos gordinhos, pelo que me lembre. acho que gordinhos gostam de andar com pessoas "normais". é mais ou menos a relação das mulheres feias que só têm amigas bonitas. uma complementa a outra. contudo, há um respeito mútuo entre os gordinhos, assim como há entre os barbados. ao se cruzarem, sempre rolará uma identificação visual entre os dois, mas ao contrário dos barbados, que se cumprimentam com um ar de superioridade intelectual, os gordinhos o fazem como um ato de companheirismo, onde o pensamento de ambos é "outro fracassado igual a mim, tenho pena dele também".

capítulo 5 – no sexo



e no sexo, então? só se fodem (no sentido ruim mesmo), claro. lembro que uma ex-namorada minha (na época que ainda não era namorada) sempre hesitava nos momentos mais calientes e eu ficava na dúvida: "que porra é essa? tô fedendo, por acaso?". então, certa vez ela me disse que não dava continuidade nos agarros porque pensava que eu tinha o pau pequeno. que merda, hein? perdi de transar com ela mais vezes – e nosso sexo era fenomenal, coisa de discovery channel – porque eu era gordinho e isso implicava em pau pequeno. são nesses momentos que os esteriótipos destroem a sua vida.

declaração final



são por esses motivos que estou tentando deixar de ser gordinho. lentamente, claro, se não eu não seria um true gordinho. se as batatas moçambicanas deixarem, perderei mais alguns quilos em breve, graças também aos 25 litros de chá verde que tomo diariamente e ao meu personal trainer serginho.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

prefira um bate-papo a uma reunião



em quase toda minha carreira profissional (muito bom falar isso), trabalhei em locais e funções que exigiam contato constante com os clientes, mas foi na rits que eu realmente senti na pele o que era ser "atendimento", por necessidade, já que meus outros sócios tinham que colocar a mão-na-massa e produzir os projetinhos que nos transformaram nos milionários que somos hoje. quem me conhece, sabe que não sou lá muito simpático e social, características importantíssimas para um bom baba ovo atendimento, mas acho que consegui me virar durante esses anos, não sem receber muitos comentários negativos, é claro.

lidei com todos os tipos de pessoas possíveis e imagináveis, em reuniões onde o teletransporte seria muito útil e outras muito boas. contudo, eram poucas as pessoas que eu gostava de estar próximo nesse mundo-business-do-inglês-sofisticado-e-termos-novos-que-falam-a-mesma-coisa-sempre. são as mesmas pessoas que eu conseguia ficar à vontade num bar e contar minha vida pessoal, sem ficar pensando antes de falar. pela manhã, nos reuníamos para pensar nas campanhas (e no real resultado que ela ia proporcionar) e à noite, estávamos enchendo a cara com bebidas fortes, da cachaça aos drinks com guarda-chuvazinho afrescalhado, motivo de malhação desenfreada. falávamos sobre tudo, sem frescura, trocando experiências que só a diferença de idades sabe fazer.

nunca precisei dar tapinhas nas costas, nem apertar a mão com um sorrisinho falso no rosto pra conseguir o que eu queria. sempre fui honesto comigo, com meus clientes e minha empresa. é uma boa obrigação que eu tenho com meu pai, que me fez um único pedido, quando eu era criança: "meu filho, só te peço uma coisa na vida: seja honesto". ser honesto dá trabalho e é muito abrangente, então é meio foda cumprir isso à risca, mas eu acho que entendi o recado dele.

o problema é quando você esbarra em pessoas que não gostam de honestidade e acham que fazer negócio é viver engravatado e falar bonito, ser um robô e ficar repetindo jargões idiotas, munidos de cartões de visitas que contenham palavras como "consultor" e "analista". pessoas que você não pode falar a palavra "bate-papo", pois o correto é "reunião"; que preferem viver em colunas sociais, posando para fotos narcisistas (sempre de ladinho) com pessoas que elas odeiam; que adoram fazer reuniões para apresentar idéias "geniais", pois é óbvio que entendem de todas as áreas do conhecimento; que não sabem segurar a onda do seu cargo e saem fudendo os que estão abaixo sempre que levam uma pancada vinda lá de cima; que vivem correndo atrás de cartões vips para festas da high society, pois estas são palcos para mostrarem o falso refinamento que possuem.

prefiro conviver com o cliente que me manda uma mensagem quando está cagando (sim, eu tenho clientes que fazem isso), dizendo que se lembrou de mim. prefiro aquele que eu posso ligar de manhã e dizer que não vou à reunião porque estou ressacado. prefiro o que confia no que eu digo, mesmo que não concorde à princípio, pois tem a básica noção de que se ele me paga é porque não sabe ou não entende do assunto tanto quanto eu. prefiro aquele que eu posso atender de bermuda e chinelo, pois sabe que eu sou calorento pra caralho e minha roupa não irá interferir em nada nas idéias. enfim, sou mais chegado aos que valorizam mais a representação da vida real do que os padrões chatos dos negócios e entendem que informalidade não é falta de profissionalismo.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

a mulher-calcinha-bege



mulher broxante é o pior mau que pode me ocorrer. é o tipo de coisa que me gera decepção como nenhuma outra, pois sempre me pega de surpresa. como sou otimista com as mulheres, utilizo sempre minha imaginação para acreditar que algumas me proporcionarão prazeres imensos, mas aí acabo trombando com uma mulher-calcinha-bege e isso tudo vai por água abaixo. são as mulheres que possuem um dom incrível em potencializar sua sem-gracice, principalmente em temas extremamente prazerosos: sexo, bebidas e música - a tríplice vitoriosa dos prazeres humanos.

sobre o sexo, evitam falar a respeito. acreditam que é algo muito individual, ou seja, uma contradição à própria condição do ato. nada bate, não tem lógica, não consigo entender. acho que nunca tiveram uma noite boa na cama (ou no carro ou no sofá ou no banheiro com a casa lotada de gente). nunca gozaram (ou pensaram que sim) e isso – ao menos isso – me alegra, pois sei que quando experimentarem esse ato tão egoísta, ficarão taradas. também tenho uma teoria (com um certo embasamento prático) de que mulher que transa "tarde demais" acaba virando uma viciada e insaciável e louca e bom-demais-isso-tudo. sexo é falta de educação para a mulheres-calcinha-bege. nada sabem sobre as fantasias masculinas em relação às colegiais.

na bebida, evitam chegar aos excessos. não podem "perder" o controle de seus atos, pois com isso também perderiam a sua hipocrisia (e elas são apegadas demais à ela). seria demais para a mulher-calcinha-bege contar às amigas - que são idênticas - como foi a noite anterior: perdeu a cabeça e transou com o homem-maravilhoso-e-sexy-que-estava-no-bar, este que acabara de conhecer. óbvio que não transará mais, pois como ela nunca falou de sexo e nunca teve experiências nessa área, por mais gostosa que ela seja, foi um fracasso na cama e o bonitão não ligará para ela hoje. será uma espécie de lição.

a música simplesmente não entendem. entender é diferente de gostar, que fique claro. ela é uma amiga do dia-a-dia que está ao meu lado sempre e não compreendê-la é o mesmo que apunhalar-me pelas costas e rodar o punhal 3 vezes. já dizia chavela vargas: "a música é o orgasmo universal". não entendê-la é a maneira mais rápida de me fazer broxar, perder o interesse, querer que a pessoa suma e nunca mais volte.

terça-feira, 30 de março de 2010

nós e freshlyground na swaziland



a viagem começou pela madrugada, quando eu ainda exibia alguns videos de tool para serginho. em poucos minutos, o alerta: "temos que arrumar as malas, pois o pessoal já deve estar chegando". era quase 5 da manhã e não havíamos dormido ainda. a noite parecia chegar ao fim, após algumas novas amizades e muitas, muitas doses de jack daniel’s... que me faziam lembrar que os dias anteriores foram ocupados com um sempre presente "domingo vai ser foda". era alegria em excesso.



as músicas deles representam bem mais que uma qualidade sonora pra gente. representa a nossa estada aqui na áfrica, as nossas saudades de casa, loucuras, novas amizades e euforia por estarmos vivendo experiências maravilhosas, no som, sabor, visão, tato e, claro, no clichê daqueles que passam por isso. lembra-nos também de pons, que partiu de volta para o brasil, mas estava ao nosso lado durante o show.



com as malas prontas, muito sono e cansaço, morremos um pouco nos carros que nos levaram pra malkerns, na swaziland. voltamos a viver por volta das 10h, quando chegamos no willows lodge, localizado a 1km do house on fire, local onde aconteceria o show. morremos novamente por algumas horas, acordamos e fomos embora. chegamos, compramos fichas, bebidas (o clima frio combinava com o whiskey), nos alimentamos, dançamos e rimos – como sempre. zeca, victor, lenin & família nos acompanhavam. foram os fotógrafos da tarde.

a simpatia de zolani nos abraçou e o espetáculo começou.



veja mais fotos e vídeos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

os seios e ela



era alta, branca, cabelos pretos até os ombros e terrivelmente desengonçada. em excesso. tinha uns seios maravilhosos, suficientes para virar conteúdo - um tanto rápido e certeiro - entre os masculinos por boa parte daquela noite. não sabia dançar bem, mas tinha seios que desejavam ser beijados por toda a madrugada. possivelmente por todos naquele local, sem sexo definido. e seria ao mesmo tempo. agia como novata, mas sem tanta cautela. bebia livremente, de um lado para o outro, acompanhada de amigas que pareciam ditar o rumo de onde estar naquele palco. tinha seios que eram expressivos demais, muita responsabilidade. pensava em trocá-los por algo mais merecedor em seu corpo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

"e eu já estava lá a te esperar sem dizer adeus"



sentava, sobre o pequeno batente da universidade paraibana. o sol fazia questão de mostrar sua força, mas teimoso, eu tentava me esconder em sombras bestas - e cada árvore valia muito. numa dessas tentativas, passa por mim um belo vestido, vestido de charme bem jovial e potencialmente sacana. um perigo querendo ser inocente, daqueles que sentem prazer em fuder com a vida da gente. depois desse dia, vieram beijos, ligações para ex-pessoas-importantes e um corte de cabelo curto, terrivelmente sedutor. além de pequeno, era preto e contrastava com a cor querendo ser branca da pele, no rosto magro e desprentesioso. e ela ria bastante, pois sabia que o dia todo no salão faria uma grande diferença, apesar de tê-la tratado de forma tão bruta naquela mesma noite. não sabe ela que aquele passar de tesoura foi o responsável por tudo o que viria a seguir. pela vontade não só de beijar, mas de ser importante em cada pequeno momento de sua vida. e seguiram as boas masturbações, as brincadeiras inocentes que visavam beijos em seios e a tentativa de beijá-los em um ônibus interestadual. era o canalha de um lado e a aspirante a inocente do outro. mas, o sexo propriamente dito - a bela penetração desejada pelo macho-da-tribo - nunca houve. não que ela não desejasse, mas para ela, era mais prazeroso apenas não fazer. sentia prazer em ser desejada em excesso, não em executar o desejo. ela pega corpo, engrossa as pernas, fica mais carnuda, desperta o desejo da mordida, aprende línguas, vai morar no estrangeiro, paquera branquelos, dança demais, fica charmosa no p&b. ele, lento como só ele é, continua ele.

terça-feira, 16 de março de 2010

o bar, mulheres gostosas e afrodisíacos



sempre tive uma teoria, que a cada dia se comprova mais: os bons bares são os verdadeiros cabarés disfarçados. para mim, todos aqueles que estão ali vão com o intuito único e exclusivo de fazer sexo (no seu sentido mais amplo). sim, mesmo os mais "reservados". a diferença é que esses apenas não sabem - ainda - ou apenas renegam o fato, cuspindo argumentos falhos como o famoso "vim aqui só para me divertir". os bons bares são ambientes que incentivam os excessos, os sentidos e que podem ser representados pela somatória básica a seguir: música alta + álcool + saias curtas + maquiagens borradas + filas intermináveis nas portas dos banheiros + pessoas em pé trocando peles.

e nesse ambiente, vale de tudo para se obter a atenção do sexo oposto. vale esbarrar "sem querer", fazer a dança mais chamativa, oferecer uma bebida. mas, é a felicidade que se expoê naquela noite que pesa mais. ela vem das boas gargalhadas entre os amigos numa mesa, enquanto as mais desejadas passam ao redor e se perguntam "qual o motivo de tanta felicidade, se a mulher mais gostosa desse ambiente sou eu?". faz sentido, visto que a felicidade de muitos homens se concentra exatamente em observar mulheres gostosas - para uns, é a única que existe. para mim, às vezes também é.

mas, para alguns poucos, não é suficiente. e não é suficiente, pois um bom bar pode oferecer muito mais. há a conversa com o garçom-irmão-mais-velho, que te pergunta "tirou a barba?", com cara de desânimo. há a banda ruim, que você nem liga mais de tanto ouvir, pois nem sabe mais o significado dessa palavra. e há o grande momento de indiferença para o macho-fracassado, que ignora a bela mulher que desfila à frente de seus olhos, somente pelo fato dela querer a sua atenção. não sabe ele, que nesse ato pobre de esnobar, pertencente aos que não tem mais nada à oferecer, deixa para ela o melhor afrodisíaco da noite.

domingo, 14 de março de 2010

o belo par



descendo do carro, percebo que a noite já fazia promessas - como se me devesse muito. estava entre amigos, prestes a conhecer um novo ambiente e, apesar de febril, me sentia feliz. ao chegar na mesa, de forma tímida, as avistei rapidamente. tive sorte, pois tentavam se esconder - não sei ao certo o motivo - por baixo do tecido lilaz. percebi que não fui o único a notá-las, mas fingi que eram só minhas e que meu único objetivo naquela noite seria admirá-las. as imaginei nas posições mais comuns e em nenhum momento as vi em um ambiente regado a sexo. tentei observar nos mais diversos ângulos, como se examinasse a melhor pista do melhor crime já cometido. para meu sorriso, elas faziam parte de um composto ainda mais belo, que tentava ser charme em cada passo. no prender dos cabelos, no mostrar do seu longo e belo pescoço. no beber dos drinks, no dançar tímido. tiveram que partir, me deixando como punição para o resto da noite, a inutilidade.